Retrospectiva 2019: O ano em que a CHANEL parou para se reinventar

Conteúdo exclusivo sobre Paris l por Ana Laura Visentini*


Para uns, ano velho. Para a maison francesa, foi o novo ano da marca. Assim, 2019 foi o ano da virada em demasia para a CHANEL, quando, repentinamente e sem aviso, as luzes se apagaram para o incrível diretor criativo, Karl Lagerfeld, e as portas se abriram para sua sucessora, colega e amiga por mais de três décadas, Virginie Viard.



Ao que tudo indica, o momento já era esperado e a “troca da guarda”, planejada há tempos. Afinal, apesar de estar em segredo, seu estado de saúde já dava sinais de que as coisas não estavam bem pois, anteriormente, ele havia falhado compromissos importantes e não compareceu ao seu último desfile, em janeiro passado, no Grand Palais, um mês antes de sua morte.


Falamos de uma das marcas mais valiosas, rentáveis e pioneiras do mundo da moda. Um império que começou no início do século passado com sua criadora, Gabrielle Chanel, e, após sua falta, teve em Lagerfeld o brilhante trajeto do reconhecimento mundial e dos negócios milionários.


Agora, em seu novo momento, a CHANEL busca antever gostos e o futuro da moda sob o comando de Viard. E, pelo visto, esta veio para mostrar ao mundo tudo o que aprendeu como braço direito do diretor alemão, imprimindo fortemente sua essência e feminilidade nas coleções apresentadas até hoje.


A prova de que a marca renasceu trazendo novos ares se concluiu em três momentos: o primeiro, quando a diretora criativa apresentou sua primeira coleção prêt-à-porter após a morte de Karl, a Cruise 2020 em maio/19; a segunda, com a coleção de haute couture em junho/19; e a terceira, em que a diretora exterioriza toda sua essência apresentando a coleção Métiers d'art 2019/20 agora em dezembro.



Mas foi no último lançamento que os jornais e críticos de moda do mundo todo focaram seus olhares para Virginie reconhecendo sua criatividade e estilo. Então, com perfeita representação da moda existente até agora, junto à versões dramáticas oitentinhas, Viard levou referências autênticas, para a passarela, de uma década polêmica do mundo da moda, porém, caracterizada pela entrada feminina em ambientes corporativos, traduzidas em peças e acessórios prontos para serem usados pela mulher de hoje.


Assim, na primeira quarta-feira de dezembro de 2019, a nova diretora provou ao mundo a que veio, recriando com perfeição o espectro da 31 rue Cambon em Paris e despertando novos conceitos de moda na coleção Métiers d'art 2019/20.



Contudo, para quem não sabe o significado, foi neste endereço que surgiram as fantásticas criações de Gabrielle Chanel, bem como a maison CHANEL. Ali, também, foram feitos os primeiros desfiles da grife por volta dos anos 20. E tudo foi realisticamente decorado no Grand Palais por Sofia Coppola, cineasta ítalo-norte-americana, reconhecida nos bastidores do cinema por sua ousadia.


Segundo informações da marca, o objetivo desta mise en scène era “recordar os símbolos amados de Mademoiselle que iriam inesperadamente para uma coleção que celebra os ateliês de Lesage, Lemarié, Goossens, Montex, Desrues, Lognon, Causse, Maison Michel e Massaro em sua capacidade máxima”. E, como em um ciclo, tudo devido à iniciação profissional da diretora criativa ter se dado na CHANEL, ainda jovem, cuidando dos bordados da Alta Costura e trabalhando em estreita colaboração com Lesage. Desta forma, a brilhante jornada se completa.


Agora, revendo as modelagens, releituras feitas durante todos os anos e analisando o contexto em que a marca esteve no ano de 2019, questiono: até que ponto as criações da CHANEL não se confundem entre o estilo de Gabrielle, Karl ou Virginie? Como resposta, percebo que o ponto de equilíbrio é este, as nuances confusas e, ao mesmo tempo discretas destes três nomes que se entrelaçam mostrando o que hoje serve como referência de estilo para milhares de marcas e estilistas, com profunda coerência entre o requinte e o casual, envolvido pela excentricidade das texturas e dos bordados, porém, com a modelagem do seu tempo.


Bonne chance, Virginie!

Fonte: Maison CHANEL


*Ana Laura Visentini - Consultora de Moda

Designer de ideias e redatora

Contato: anavisentini@gmail.com

www.instagram.com/analauravisentini

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