Mudança de rotina e o controle emocional

Atualizado: Ago 15

Por Luis Pissaia*


Há alguns meses presenciamos a pandemia da Covid-19 se alastrando pelo mundo, as taxas de óbito alarmaram o continente europeu e trouxe à tona a vulnerabilidade do ser humano perante a crise sanitária. Acredito que a tensão aumentou no Brasil nesse mesmo período, pois observamos alguns países desenvolvidos com dificuldades de conter a disseminação do vírus e o pior, a carência de serviços e tratamento capaz de barrar os agravos decorrentes da doença.


A seguir, os casos iniciaram no Brasil, e em questão de dias entramos em isolamento social, a rotina mudou drasticamente, bem como todo o mundo a nossa volta. As aglomerações foram banidas e o uso da máscara se tornou imprescindível para a proteção individual e coletiva da população.


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Nesse contexto, parte da população transferiu suas atividades laborais para home office, as instituições de ensino em sua grande maioria virtualizaram as aulas, colocando os grupos familiares restritos no domicílio e a mercê das reviravoltas emocionais. Os sentimentos de medo e ansiedade tornaram-se presentes perante o contexto social em que a pandemia encontrou o país, a crise política agrava e polariza os governantes e a população fica vulnerável ao vírus e a economia instável do momento.


As incertezas sobre o futuro colaboram para o aparecimento de crises de ansiedade, stress e medo, amplificando situações já diagnosticadas e prejudicando o bem-estar do grupo familiar, principalmente pelo isolamento físico e mental. A pandemia está servindo como gatilho para desencadear inúmeros outros sentimentos e situações críticas que percorrem as problematizações já existentes na realidade humana.


Não há um modelo correto ou diferenciado que sustente e garanta o nosso bem-estar nesse momento de crise sanitária, pois as simbologias que constroem o ser humano são diversificadas e únicas, cada gatilho é fruto da vivência histórica do indivíduo. Em meio a toda a situação de caos instaurado em nosso meio, vários são os exemplos de superação dos sentimentos negativos e manutenção da estabilidade emocional.


A prática mais comum e que vem ganhando adeptos diariamente é a atividade física, as diversas modalidades e finalidades são disseminadas pelas redes sociais em tutoriais ou lives, que aproximam profissionais especializados com a população em geral. Algumas práticas como a yoga e a meditação se destacam no contexto, principalmente por trabalharem os aspectos emocionais em conjunto com os movimentos corporais.


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A realização dessas práticas desenvolvem muito mais do que a atenção plena ou respiração, mas conduzem para a compreensão livre e simples do meio em que nos encontramos, sobretudo na aproximação com os indivíduos que nos cercam, fisicamente ou virtualizados. Quando observamos o Outro sob o mesmo patamar de realidade e inserimos novos valores e aproximações afetivas, a compreensão torna-se evidente e tornam a empatia real e palpável como propósito social.


Dessa forma, ao compreender a si e ao Outro, somos capazes de compreender o momento e facilitar a transição para o pós-pandemia. Negar a situação é o mesmo que tirar o nosso Eu de cena perante a crise, a estabilidade momentânea gerada pela negação é suscetível às necessidades humanas e logo se torna evidente a presença dos sentimentos negativos. Assim, a impermanência da rotina contemporânea cria novas conexões com as possibilidades de mudança e controle emocional, cada indivíduo é capaz de mobilizar forças para alterar o contexto.


Sobre o autor:

*Enf. Me. Luís Felipe Pissaia 

COREN/RS 498541


Mestre e Doutorando em Ensino

Especialista em Gestão e Auditoria em Serviços da Saúde


Docente Universidade do Vale do Taquari - Univates 


Enfermeiro de Rel. Empresariais - Marketing e Relacionamento Unimed VTRP

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