O silêncio de cada dia

Por Vanessa Campos


O tema de hoje é algo fantástico. Me lembrei dele porque é algo que atualmente ando necessitando muito. Se tornou uma necessidade básica para o bom funcionamento da minha alma. Falaremos então sobre: o “Silêncio”.


Google Imagens


Devo ter dito várias experiências que envolveram o silêncio, mas uma foi o divisor de águas dentro de mim. Vou fazer uma breve explicação. Quando fiz minha especialização tínhamos que observar o desenvolvimento de um bebê por um ano inteiro. “A observação de bebê” (nome teórico) é uma técnica bem famosa de uma autora conceituada. A mãe aceita que tu vás na casa dela toda a semana por 1 hora e observes o bebê e sua interação. Gostaria de ressaltar que "observe" é no sentido total da palavra. Não se pode interagir com aquela cena. Não se pode dar opinião, falar absolutamente nada. Somente observar.


Lembro como se fosse hoje eu com a minha supervisora (mulher sensacional...bem-humorada, inteligente, perspicaz. Acredito que ela nem sabe o quanto me ensinou a ser psicóloga) conversando sobre o assunto:


Ela: Tu entras na casa e observa!

Eu: Tá como assim? Observar como?

Ela: Observas o que acontece.

Eu: Ah tá...só uma perguntinha? Posso perguntar as coisas para ela? Falar com ela ? interagir né?!

Ela: (séria e calmamente) Óbvio que não. É uma observação Vanessa!

Eu: Em silêncio!?(quase em pânico)

Ela: (quase tendo um orgasmo de satisfação, já que sabia que teria um grande desafio para mim) Silêncio absoluto. É observação!


Enfim...esse diálogo seguiu por um longo tempo, onde eu até me atrevi a questionar a técnica da famosa autora. Por fim me dei por vencida...tinha que cumprir a tarefa dada. Para mim, uma vez dada a tarefa ela será prontamente realizada. E principalmente não queria de forma alguma decepcionar minha supervisora, já que a respeitava e admirava muito.


E foi aí meu primeiro encontro verdadeiro com o silêncio. Nossa, como o silêncio pode ser tanta coisa! Pode ser barulhento, angustiante, triste, acompanhado, solitário. Me dei conta, no meu silêncio o quanto esse fenômeno pode ser tão enriquecedor. Passado o primeiro impacto do meu silêncio, comecei então a interagir com o silencio do ambiente. Foi um encontro íntimo, intenso, solitário e forte. E necessário! Muito necessário!


Nossa, é lindo o silêncio. Existem coisas, gestos, palavras não ditas que só são ditas no silêncio. Depois fui estudar as formas do silêncio. Logo em seguida tive várias experiências que me ajudaram muito a entender que o silêncio tem a sua comunicação própria.


Pasmem, ele não é só algo que atrapalha as relações. Existem silêncios que são um cuidado, outros uma forma de amor. O silêncio é na verdade é uma palavra falada sem som. E porque hoje eu estou compartilhando com vocês sobre isso? Porque é no meu silêncio que me encontro. É nele que choro. Que me divirto. Que brinco. Que descanso.


Minha filha, às vezes, me olha e estou olhando para o nada e em completo silêncio. Ela sempre me diz: “ Aí mãe que cara horrível...para mãe!- Cara de peixe morto.” E sempre rimos depois disso. Só que estou ali no silêncio sem pensamento algum. E sempre respondo o mesmo: “Para tu guria! Estou aqui descansando a minha mente.”


Confesso que foi duro e longo meu processo de aceitação quanto ao meu silêncio e dos outros...permitir o som do silêncio falar por si. Ter calma e tranquilidade para poder receber de coração aberto o que cada silêncio tem a nos dizer é uma dádiva. Estar acompanhada de alguém em silêncio é um ato de amor e cumplicidade.


Um grande beijo até semana que vem.

Vanessa Campos

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