O hit que une saúde e masculinidade

Por Luís Pissaia


No mês em que lembramos com ênfase a saúde do homem, Tiago Iorc lança o hit “Masculinidade” em meio a diversas críticas sobre o bem-estar e a cultura masculina.



O mês de novembro de todos os anos é marco para a campanha de “Novembro Azul”, evento que busca desenvolver a cultura de autocuidado em consonância com a prevenção do câncer de próstata. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer – INCA, cerca de 65 mil brasileiros recebem o diagnóstico da doença todos os anos. Informação que preocupa e nos faz refletir sobre a necessidade de estratégias educativas de prevenção e identificação precoce do câncer de próstata, já que quando identificado em estágio avançado, a chance de cura diminui drasticamente.


Mas nem todo o cenário é de células malignas. Nos últimos anos a campanha de atenção à saúde do homem tem voltado à atenção para o indivíduo em sua integridade, contribuindo em muito na identificação de situações problema que precedem o desenvolvimento de células cancerígenas. Uma das vertentes que ganha espaço é o equilíbrio emocional, ligado diretamente com as habilidades sociais e a ocorrência de síndromes relacionadas ao campo psicológico do homem.

Coincidência ou não, o cantor e compositor Tiago Iorc lançou o hit “Masculinidade” neste mês. Indico uma escuta sensível para a letra que carinhosamente Ele nos apresenta. Em um ritmo constante e singelo, Tiago explica o intervalo de silêncio social e os motivos que levaram a tal iniciativa, muito próximo ao que aconteceu no lançamento do álbum anterior, em minha opinião.


A grande sacada do hit é evocar o emocional masculino em um momento em que a cultura desvaloriza esse aspecto de suma importância para o bem-estar. Em vários trechos é possível identificar o estigma contra a sensibilidade masculina, noção de invencibilidade e silêncio perante os sentimentos. Em meio a tantos exemplos de uma construção social do homem que não cabe ao momento, Tiago cita: “Calar fragilidade é castigo”.


O silêncio mata. O silêncio incorpora em si todas as dores de uma sociedade que exclui os sentimentos masculinos e valoriza a força, denominada como virilidade perante os medos e as dificuldades sociais. A relação entre o bem-estar emocional e o câncer de próstata, por exemplo, está no estilo de vida e potencial do autocuidado desenvolvido pelo homem durante as várias etapas do seu ciclo vital.


Hábitos como o sedentarismo e uma alimentação pobre em nutrientes essenciais levam ao adoecimento físico, e quando atrelados aos níveis elevados de estresse e ansiedade, provocam o efeito “bola de neve” no organismo. Muito mais do que o câncer de próstata, o mês de novembro nos lembra de um homem que possui anseio por cuidado e atenção em uma sociedade pouco preocupada com esse aspecto.


Amigo, busque o autocuidado como sobrevivência humana e garantia da qualidade de vida em longo prazo. O apoio da família, amigos e profissionais da saúde é imprescindível. Não tenha medo, essa atenção salva vidas!


Sobre o autor - *Enf. Me. Luís Felipe Pissaia  - COREN/RS 498541

Mestre e Doutorando em Ensino

Especialista em Gestão e Auditoria em Serviços da Saúde

Docente Universidade do Vale do Taquari - Univates 

Enfermeiro de Rel. Empresariais - Marketing e Relacionamento Unimed VTRP