Modelo comercial ou fashion: quem ganha mais?

Por Fabiano Biazon*


O dia a dia de um modelo profissional ronda o imaginário de muitas pessoas! É normal que algumas pensem que, na maior parte do tempo, seja puro glamour. Mas, na verdade, é trabalho árduo, e com muita disciplina! Pelo menos para quem leva a sério e quer prosperar na carreira.


Crédito: Wix Imagens

Outro tema que gera muitas dúvidas é sobre quanto ganha um modelo e, principalmente, quem ganha mais: o comercial ou o fashion? E não é para menos, pois os pagamentos são feitos de formas variadas e não são fixos. Fica realmente parecendo confuso para quem não é do meio. Mas vou explicar um pouco como funciona.


Quem trabalha no circuito da moda sabe que existe uma espécie de tabela que serve como um “norte” para bookers, modelos e clientes especificando os cachês, que são separados por categorias. No entanto, para definir os valores, os contratantes também se baseiam em alguns quesitos, como a trajetória profissional do modelo.


Diferente de outras profissões, ele não tem um currículo convencional. Sua carreira vai sendo construída através dos trabalhos que faz, como: desfiles, temporadas no exterior, campanhas, comerciais, capas de revistas, editorias, entre outros.


Para suas apresentações, o modelo possui um book composto por fotos mais naturais feitas por um fotógrafo profissional, em estúdio e ao ar livre, além dos registros dos trabalhos mais marcantes que realizou. O book é apresentado durante o casting. É uma espécie de “currículo” na entrevista “de emprego”, que mostra as experiências que ele tem.


Um material bem elaborado tem relação direta com os cachês recebidos, pois vai mostrar sua trajetória do modelo, bem como se desenvolve em frente às câmeras.


Mas, você ainda está se perguntando: quem ganha mais: modelo comercial ou modelo fashion?


Como citei anteriormente, isso vai depender de muitas variáveis. Para ter uma base, o fashion pode ganhar de zero a milhares de reais, dólares, euros, etc. Zero se houver uma negociação entre o booker e o cliente, com a aceitação do modelo por pagamento em permuta. Milhares de reais, bom… aqui estaríamos falando de uma ou um super Top Model, como Gisele Bündchen.



Crédito: Wix Imagens

No segmento Fashion o normal é começar ganhando cachês mais baixos. Mas isso pode mudar se um modelo iniciante for escolhido de cara para uma grande campanha ou um desfile importante, exclusivo. Volta e meia o mercado é sacudido pela descoberta de uma “New Face”, que logo se torna disputada pelas principais grifes. Nesse caso, mesmo começando, esse modelo não vai sair nada barato!


O contrário também ocorre. Acelerando o tempo, se pegarmos um modelo que realizou grandes trabalhos no passado, mas que, agora, está mais parado, seu cachê será desvalorizado.


Participar da São Paulo Fashion Week – SPFW também faz com que os valores mudem. Para quem faz vários desfiles, então, os números sobem mais ainda. Recordistas do catwalk podem, até mesmo, ver um cachê triplicar. Quem faz os principais desfiles fica na mira das grandes grifes, tem chances de fazer grandes campanhas e de ser contratado para temporadas internacionais. E, quando volta, com a experiência adquirida, também pode melhorar seus ganhos.


No Comercial os contratos são, na maioria, com valores padrão. Somente em alguns casos é solicitando a modificação no contrato, normalmente para mais. O que quero dizer com valores padrão é que se houver um casting, por exemplo, para um banco e 100 modelos participarem dos testes, independentemente de um deles ser supermodelo ou alguém que está começando, o valor oferecido será o mesmo para todos e assinará o contrato aquele que se sair melhor.


A forma de pagamento também muda. Enquanto o modelo fashion precisa pegar vários trabalhos para fazer um bom dinheiro no final do mês, o comercial, se aprovado em um casting de vídeo para uma empresa renomada pode, em um único trabalho, pode ganhar suficiente para garantir alguns meses de contas pagas. Essa comparação não se encaixa para aqueles que já são consagrados no mercado, já que estes recebem alguns “zeros a mais” por cada trabalho.


A verdade é que, nos dois casos, se o modelo fizer ótimos trabalhos, outros surgirão. É um ciclo. Um ciclo virtuoso! Como diz um velho ditado: ganha bem quem trabalha bem! E esse “trabalhar bem” não significa quantidade, mas, sim, qualidade. Dedique-se, estude e treine todos os dias!


Dessa forma, dinheiro chegará em abundância!



Fabiano Biazon

Especialista na gestão de carreiras de modelos para o mercado internacional, com mais de duas décadas de experiência no segmento. Por mais de 10 anos, juntamente com Mateus Ahlert, liderou a conceituada agência Premier Models.

Foi responsável pela descoberta e preparação de centenas de modelos, como Léo Bruno, ex-empacotador de supermercado em Criciúma, que se tornou estrela de uma das campanhas da Louis Vuitton, e Daniela Sulzbacher, que modelou em Paris, Itália, Nova York e Tóquio.