Comunidade - Por Vanessa Campos


Me considero uma pessoa de sorte. Morei em lugares onde criei laços importantes para me transformar na pessoa que sou hoje. Dos 6 anos de idade aos 25, morei num bairro na Zona Sul de Porto Alegre, inexplicável. Numa casa de esquina, na frente de uma praça. Nessa época tive a oportunidade de viver numa comunidade. Assunto de hoje.


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Durante minha trajetória tive famílias que me adotaram. Como se eu fosse parte delas. Membro pertencente. Explico melhor... me envolvia, me sentia como alguém que fazia parte daquele grupo. Me lembro de que por anos... muitos anos mesmo, eu passava o Natal com a minha família “biológica” e passado os festejos, na mesma noite ia comer a sobremesa, dar um beijo nas duas “famílias adotivas” do bairro. Certa vez não pude ir e juro para vocês que ficou uma sensação de vazio.


Há 11 anos então encontrei outra comunidade. As afinidades foram crescendo. E realmente nos adotamos. Todos! Nos ajudamos, apoiamos, preocupamos. É incrível! Temos um contrato secreto. Ninguém se mete na vida de ninguém. Não tem fofoca. Não tem disque me disque. Não tem julgamento. É só um amor puro e verdadeiro. De pessoas que querem o bem uma das outras. Na nossa comunidade uns são mais falantes, ativos, controladores, outros são amorosos, cuidadores... e assim vamos nesses 11 anos nos apoiando.


São relações baseadas na delicadeza, na cumplicidade. A alegria ou a tristeza de um é de todos. Sem máscaras, sem jogos, sem "mimimi". Nada precisa ser dito. Somos uma grande família. Esse ano, infelizmente, um integrante nos deixou. É um vazio que fica. Uma dor. Uma tristeza, um pesar. Mil lembranças no coração de todos os momentos. Todas as festas, todos os churrascos, todas as músicas cantadas, as bagunças, os choros e as risadas. É lindo o que construímos. Meu porto seguro. Um lugar que sou eu... sendo eu mesma. No meu melhor.


Nossa! Quantas vezes me salvaram! Na verdade nos salvamos cada um em seu momento. Tenho clareza nisso. O mais lindo de tudo é que tudo é reciproco, verdadeiro e fazemos porque nos sentimos pertencentes uns aos outros. Somos uma grande família adotiva. Nos escolhemos pra compartilhar a vida. Para nos nutrir de amor e esperança. Sabemos que podemos contar um com o outro sempre.


Óbvio que tenho outros grandes amigos, pessoas especiais que sei que posso contar. Que me amam que realmente estão ao meu lado. Mas, hoje, o que queria compartilhar com vocês são as comunidades que se unem em prol do amor. Num mundo tão difícil e individualista conseguirmos manter isso é realmente uma benção.


Só tenho a agradecer. Só tenho gratidão. Nem desejo nada. Porque assim já está bom.

Um beijo grande

Vanessa Campos - psicóloga

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