A empatia como legado da pandemia

Por Luis Pissaia*


No cenário de pandemia causada pela Covid-19, muitas foram às perdas sociais que observamos principalmente as relacionadas com a indústria de bens e serviços. As instabilidades do mercado financeiro também proporcionam certa insegurança no que tange a articulação de novas ideias e a precisão de investimentos neste momento.


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Contudo, pontuo um dos legados deixados por esse momento ímpar na história da humanidade, o desenvolvimento da empatia. Particularmente, sempre observei a empatia como uma ação com certa dificuldade imbricada em colocar em prática com outras pessoas. Pois, é fácil mencionar a empatia e conduzir ações que predizem certo grau de compreensão, no entanto a real inserção de sentimentos a partir da vivência de outros é muito difícil.


Há dificuldades reais em compreendermos o contexto de vida de outra pessoa, as dores, emoções e sentimentos são necessariamente únicas e por mais que nos esforcemos em buscar essa ligação, ela demanda um grau de vinculação e complexidade construída em longo prazo. Mas, pontuo que neste momento histórico de pandemia causada pela Covid-19, as relações passaram por um momento de reencontro das individualidades e a abertura para o outro, mesmo que em ambientes virtualizados, oriundos da necessidade do distanciamento social.


O diferencial da pandemia, é que o fator ou agente causador do medo e da maioria das situações, diria até de risco de vida, é a Covid-19. E, tendo um padrão em comum, é sobrepujada parte da barreira de vinculação e a empatia é fácil de transparecer, mesmo que de maneira rasa. Por que rasa? Porque faz parte do momento, é um fator de conexão comum e por esses motivos, torna-se fácil de atender, mas possui uma finitude.



Mesmo assim, a empatia é um legado. Legado este que serve de modelo para novas práticas sociais de interação humana e construção de modelos inter-relacionais de socialização. Os detalhes são importantes nesse contexto, como vizinhos auxiliando pessoas que não podem sair de casa, oferecendo alimento, medicações e suprindo as demandas do indivíduo com o meio externo ao seu domicílio.


Logo em meados de março, observamos uma força tarefa de condomínios em identificar seus moradores em grupo de risco e prontamente oferecer o auxilio nas atividades diárias e as que por ventura poderiam surgir. Esses pequenos sinais indicam certo grau de empatia, mesmo que associado a uma realidade momentânea, mas que pode ser identificado como um legado do momento.


De todo esse movimento empático, o mercado também se sobressai, entregando serviços pensados para os diferentes segmentos de públicos, chamando essas estratégias de personalização das entregas, mas que em suma trata-se da empatia monetizada. Ainda, a empatia não fica restrita a pequenas entregas que suprem uma necessidade do contexto, mas também a conexão entre as pessoas, a compressão sobre o estado individual e a acolhida sobre as problemáticas do indivíduo.


Dessa forma, a empatia é uma frequente no momento em que vivemos e de forma constituinte, é um legado que deve ser impulsionado para o momento pós-pandemia, que prevê de forma delicada, a retomada da aproximação pessoal da população. Acredito que, mesmo que rasa a empatia gerada pela pandemia possui o potencial de estruturar-se como uma ação cotidiana de relação entre as pessoas.


Você pratica a empatia?


Sobre o autor - *Enf. Me. Luís Felipe Pissaia  - COREN/RS 498541

Mestre e Doutorando em Ensino

Especialista em Gestão e Auditoria em Serviços da Saúde

Docente Universidade do Vale do Taquari - Univates 

Enfermeiro de Rel. Empresariais - Marketing e Relacionamento Unimed VTRP

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