Skate lifestyle - Entrevista Bruno Martins

Atualizado: 28 de Nov de 2018

Por Lizi Ricco


O paulistano Bruno Martins construiu e cultiva sua história de vida sobre as quatro rodas do skate há mais de 25 anos. Adepto desde sempre à modalidade street, explora a arquitetura urbana com toda a liberdade e criatividade que o skateboarding proporciona.


Orla do Guaíba - Porto Alegre /Foto: Daniel Nunez

Nesta breve entrevista, o skatista, que escolheu a cidade gaúcha de Novo Hamburgo para viver, conta um pouquinho da sua história e compartilha sua visão sobre o esporte.


Orla do Guaíba - Porto Alegre /Foto: Daniel Nunez

Como iniciou a história com o skateboarding?

A minha paixão começou por volta do ano de 1993, através do meu irmão mais velho que tinha já tinha skate, ele saía para trabalhar e eu e meu irmão mais novo usávamos o skate dele pra andar, de ali em diante eu vi que não era paixão, eu comecei a amar.


Como se deu a sua trajetória?

De lá pra cá foram muitos eventos, campeonatos, vídeo-partes, aparições em mídias especializadas, demos, viagens que formaram a minha história no skate até aqui.


Quando veio morar em NH/RS? NH chegou a ser considerada a “capital do skate”, hoje que lugar tem essa classificação?

A minha vinda para o RS se deu em uma “skatetrip” (viagem) gostei muito de POA, morei um tempo em Porto Alegre e por outros motivos pessoais fui morar em NH, nos anos 80’s eu soube que a cidade recebeu essa alcunha de “capital nacional do skate” se destacando na época com pistas, empresas direcionadas, enfim... hoje posso dizer que a cidade é bem representada no Brasil e no mundo por excelentes skatistas crias de NH, Carlos Ribeiro, Douglas Molocop, skaters que eu admiro e tenho algumas vezes como parceiros nas sessões.


O que mudou de mais significativo no cenário/cultura nos últimos anos?

Na minha opinião, o que mais mudou foi a inserção de grandes marcas no skateboarding, que trás (ou não) o benefício de investimentos de grandes empresas que fortalecem, mas que também tiram a oportunidade de quem sempre trabalhou pelo mercado em prol do skate. E na cultura eu vejo a mudança de mentalidade de novos praticantes que começam a andar de skate já almejando patrocínios e estrelato, e muitas vezes atropelam fases importantes do amadurecimento para a sua própria história.


Podemos dizer que hoje existe mais incentivos? E mais espaços dedicados para o esporte?

Sim, sem dúvida temos mais lugares apropriados à prática do skate, são skatepark’s feitas por empresas especializadas que na maioria das vezes fazem pistas, plazas, parks excelentes para a prática, mas, não podemos esquecer que sempre terá e é a raiz do skatista a criatividade de enxergar o mundo com outros olhos, interagir com a arquitetura urbana de uma forma ímpar, o incentivo para o skatista é sempre a superação pessoal em novos desafios, isso nos incentiva.


Acreditas que com a inserção do esporte nas olimpíadas deve melhorar mais ainda?

Essa é a “pergunta do milhão” eu sabia que ela não iria faltar, mas me restrinjo a dizer que na minha teoria o skate não deveria se limitar a classificação de esporte, por essa razão não vejo a possibilidade de mensurar através de julgamentos olímpicos, o skateboarding pra mim se classifica melhor como um estilo de vida, uma arte.


O que sempre toca na tua playlist quando estas andando?

Quando estou andando ou mesmo na trilha sonora da minha vida ouço sempre RAP, sou um amante e entusiasta do rap, mas têm aqueles momentos que abro o leque para o raggamuffin e o reggae.


Em que tipo de lugar curte praticar?

A essência da prática da modalidade “street” como já dirá a tradução se dá nas ruas, lá encontramos os obstáculos reais, com sua dificuldade real e peculiar de cada pico, por exemplo, o mesmo tipo de escadaria pra pular, muitas vezes se diferencia de outra pelo número de degraus, espaço disponível e qualidade do piso para embalar e pular essa escada, até mesmo um desnível ou outra dificuldade do local o torna único e desafiador.


Quais são as melhores pistas para a prática no Brasil?

Eu não conheço todas as pistas, e acho um pouco difícil conhecer todas devido à dimensão continental do nosso país, mas afirmo que as regiões Sul e Sudeste dispõem de excelentes pistas para a prática.


Onde não podes deixar de ir no mundo?

Ásia, Europa, América... o skate hoje é globalizado encontraremos praticantes, praticamente nos 4 cantos do mundo, e cada região dispõe de diversidade arquitetônica para a prática do mesmo.


Hoje o que o skate representa na tua vida?

Representa tudo, o que eu sou, minha essência, tudo aquilo que me fez chegar até aqui é fruto de escolhas da caminhada do skate.


A família: Bruno, Matheus e Bianca /Foto: Arquivo pessoal

"O skate representa tudo o que eu sou, minha essência. Tudo aquilo que me fez chegar até aqui é fruto de escolhas da caminhada do skate. Através disso fiz amigos de longa data que até hoje o skateboarding une. Conheci diversos lugares, me afastei da realidade cruel de onde eu cresci, assisti e vivenciei da periferia de São Paulo. Através das minhas escolhas trilhei caminhos com o qual constitui família, enfim... devo tudo a caminhada do skate que me fez ser o que me tornei hoje, sou grato e muito feliz por ter sido infectado por esse estilo de vida."


Fotos: @danielnunezfoto







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