Rituais, fragmentos da nossa história

Por Luis Pissaia*


Os rituais fazem parte da história da humanidade, desde as cavernas, nossos ancestrais buscavam elevar o espírito por meio de danças, músicas e pinturas que mais tarde seriam repassadas através das gerações. Se desde sempre os rituais estiveram presentes em nossa sociedade, o porquê de agora entrar no desalento de uma sociedade fluída?



A explicação é simples e taxativa, muitos rituais ficaram atrelados à religiosidade de determinado grupo social, seja em cerimônias ou crendices populares. Mas, o que ninguém sabe é que praticar esses rituais garante a preservação de parte da história imaterial do nosso povo e estimula o desenvolvimento cultural da sociedade.



Desenvolvimento este que é alavancado pelas trocas de experiência e manutenção de relações interpessoais entre diversos fragmentos de história que formam aquilo que somos e vivemos em comunidade. Simples rituais, como o de natal ou ano novo, como aqueles que passamos há pouco tempo, reúnem uma gama gigantesca de história e cultura repassada por gerações e que vão sendo assimiladas ao longo de uma vida e contato com outras realidades.



Essa é a realidade proposta por um termo que há muito vem sendo discutido que é a globalização das ideias, trocas de experiências e fusão de diferentes culturas em um único individuo, pluralizado e que constrói seu próprio mundo dentro de si. Esta compreensão de globalização de rituais vai ao encontro de práticas de autoconhecimento não como um meio e sim, um fim.


Em suma, a ritualização de atividades diárias fortalece o vínculo com indivíduos e espaços, criando um ambiente seguro e de desenvolvimento dos seus ocupantes. Um ritual possibilita que o seu praticante exerça o domínio sobre determinado espaço e prática, estimulando o florescimento de sua essência.


Em um rápido exercício é fácil lembrar-se de rituais que aparecem nos nossos dias e que são fruto de estímulos familiares que cresceram conosco. Um simples ato de dobrar meias, fazer um bolo ou conduzir uma conversa com amigos é fruto de rituais históricos que nos precedem.



Uma boa dica para você caro leitor, é revisitar praticas rituais estimuladas em seu meio familiar ou social, como forma de manter viva a história atrelada a estes movimentos. Outro fato que merece destaque, é que os rituais nos individualizam enquanto essência humana, impulsionando o autoconhecimento e a vivência plena de sentimentos e emoções próprias.



Sobre o autor - *Enf. Me. Luís Felipe Pissaia  - COREN/RS 498541

Mestre e Doutorando em Ensino

Especialista em Gestão e Auditoria em Serviços da Saúde

Docente Universidade do Vale do Taquari - Univates 

Enfermeiro de Rel. Empresariais - Marketing e Relacionamento Unimed VTRP