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O valor de ser lembrado

  • há 1 dia
  • 5 min de leitura

Atualizado: há 5 horas


Há alguns dias venho me fazendo uma pergunta que, apesar de simples, carrega uma enorme carga de emoção: por que, depois de tantos anos, ainda sou tão lembrado? 


São mais de 15 anos sendo convidado para os mais diversos eventos. Às vezes para apresentar um palco. Outras para exercer minha profissão como advogado. Em muitos momentos como influenciador, comunicador, colunista social ou entrevistador. E há ocasiões em que o convite vem simplesmente pela minha presença.


Confesso que essa reflexão me emociona.


Talvez porque, quando olho para trás, eu ainda enxergue aquele menino do interior, criado em uma pequena cidade de pouco mais de dois mil habitantes. Um lugar onde todos se conheciam, onde os sonhos pareciam maiores do que as oportunidades e onde eu sequer imaginava o tamanho do mundo que existia além das ruas que percorria todos os dias.


Naquela época, eu jamais poderia imaginar que um dia estaria apresentando eventos para centenas ou milhares de pessoas. Não imaginava que pisaria em tantos palcos, conheceria artistas, empresários, autoridades, lideranças e pessoas que admirava apenas pela televisão. Muito menos que construiria uma carreira sólida na advocacia, encontrando na profissão uma forma de ajudar pessoas a defenderem seus direitos e suas histórias.


Mas a vida tem um jeito curioso de surpreender.


Ela não entrega tudo pronto. Pelo contrário. Ela exige coragem, insistência e, principalmente, resiliência.


Minha trajetória não foi construída apenas por momentos bonitos. Como qualquer pessoa, tive dificuldades, decepções, medos, inseguranças e períodos em que pensei que algumas portas jamais se abririam. Houve momentos em que precisei acreditar em mim quando poucas pessoas acreditavam. Houve momentos em que a crítica falou mais alto do que o aplauso. Houve momentos em que o cansaço parecia maior do que a vontade de continuar.


E talvez seja justamente por isso que cada convite recebido tenha um significado tão especial.


Porque cada convite representa reconhecimento.


Representa a lembrança de que o trabalho realizado ao longo dos anos deixou marcas positivas em alguém.


Representa a confiança de quem acredita que eu posso contribuir com um evento, uma causa, uma conversa ou até mesmo com uma simples presença.


Vivemos em uma sociedade onde muitas vezes somos ensinados a buscar números. Quantos seguidores temos. Quantas curtidas recebemos. Quantos contratos fechamos. Quantas pessoas nos acompanham.


Mas, com o passar do tempo, aprendi que o verdadeiro reconhecimento não está nos números.


Ele está quando alguém atravessa um salão para dizer que acompanha seu trabalho há anos.


Está quando uma pessoa conta que se sentiu representada por algo que você falou.


Está quando alguém diz que encontrou força em uma mensagem sua.


Está quando um organizador lembra do seu nome mesmo depois de tanto tempo.


São gestos simples, mas que possuem um valor imenso.


Talvez por isso eu me emocione tanto quando paro para refletir sobre essa caminhada.


Porque não vejo apenas o profissional que me tornei.


Vejo o menino que fui.


Vejo o filho de uma família simples, que aprendeu desde cedo o valor do trabalho.


Vejo o jovem que saiu do interior carregando sonhos maiores do que suas próprias certezas.


Vejo alguém que precisou enfrentar preconceitos, dúvidas e desafios para ocupar espaços que durante muito tempo pareciam distantes.


E vejo, acima de tudo, alguém que nunca deixou de acreditar no poder das pessoas.


Ao longo desses anos, tive a oportunidade de viver experiências incríveis. Conheci lugares, participei de grandes eventos, construí amizades que levarei para a vida inteira e aprendi com pessoas dos mais diferentes universos.


Mas existe algo que considero ainda mais importante.


A possibilidade de representar.


Como homem gay, como comunicador e como profissional, sei o quanto a representatividade transforma vidas.


Durante muito tempo, muitas pessoas da comunidade LGBTIQA+ cresceram sem referências positivas. Cresceram acreditando que precisavam esconder quem eram para serem aceitas.



Por isso, sempre que ocupo um espaço, lembro que não estou ali apenas por mim.


Estou ali por todas as pessoas que um dia se sentiram diferentes.


Por todas as pessoas que precisaram lutar para serem respeitadas.


Por todas as pessoas que ainda estão buscando coragem para serem quem realmente são.


Mas também aprendi que minha história ultrapassa qualquer rótulo.


Ela conversa com qualquer pessoa que já enfrentou dificuldades.


Com qualquer pessoa que precisou recomeçar.


Com qualquer pessoa que já se sentiu deslocada.


Com qualquer pessoa que decidiu não desistir.


Talvez seja essa conexão humana que faz com que tantas portas continuem se abrindo.


E se existe algo que quero registrar nesta coluna é minha profunda gratidão.


Gratidão a cada organizador que lembra de mim.


A cada empresa que confia no meu trabalho.


A cada produtor que faz um convite.


A cada parceiro, amigo e apoiador que caminha ao meu lado.


A cada pessoa que acompanha minhas redes sociais, meus projetos, minhas apresentações e minha trajetória.

Nada disso seria possível sem vocês.


O carinho que recebo ao longo desses anos nunca se tornou algo comum para mim. Pelo contrário. Continuo me emocionando com cada mensagem, cada abraço, cada foto e cada demonstração de afeto.


E espero nunca perder essa capacidade.


Espero nunca deixar de olhar para trás e lembrar de onde vim.


Espero nunca esquecer daquele menino do interior que sonhava em ser ouvido.


Porque é justamente ele que me lembra todos os dias da importância da humildade, da gratidão e da perseverança.


Se hoje minha voz alcança mais pessoas, é porque muitas mãos me ajudaram a chegar até aqui.


Se hoje sou lembrado, é porque muitas pessoas acreditaram em mim antes mesmo que eu acreditasse.


E se continuo aceitando convites, participando de eventos e ocupando espaços, é porque acredito que ainda temos muitas histórias para compartilhar.


Que eu possa continuar usando minha voz para inspirar, acolher, informar e representar.


Que eu possa continuar encontrando pessoas incríveis pelo caminho.


Que eu possa continuar aprendendo, evoluindo e construindo pontes.


E, acima de tudo, que eu possa continuar caminhando junto de todos vocês.


Porque, ao final de toda essa reflexão, percebo que a resposta para a pergunta que me fiz no início desta coluna talvez seja mais simples do que eu imaginava.


Não são apenas os eventos, os palcos, a advocacia ou a comunicação que me mantêm em movimento há tantos anos.


São as pessoas.


As conexões verdadeiras.


Os encontros.


O carinho recebido ao longo da caminhada.


E a certeza de que, independentemente de onde viemos, todos nós podemos deixar uma marca positiva na vida de alguém.



Nenhuma trajetória é construída sozinha!


Se hoje tenho a honra de ser lembrado, convidado e acolhido em tantos espaços, é porque ao longo do caminho encontrei pessoas que acreditaram em mim, apoiaram meus projetos, incentivaram meus sonhos e caminharam ao meu lado nos momentos mais importantes da minha vida pessoal e profissional.


Por isso, faço questão de dedicar um agradecimento especial aos parceiros, apoiadores e amigos que contribuem diariamente para que eu continue levando meu trabalho, minha voz e minhas causas para cada vez mais pessoas.


Meu sincero obrigado a Dra. Miriam Kuhn, Via Laser Barra Sul, Assessor Gabriel Hernandez, os videomakers, estilistas e maquiadores/cabeleireiros que já trabalharam comigo, Cabaret Poa, RS Play TV, amigos...


A cada um de vocês, minha gratidão, respeito e carinho. O reconhecimento que recebo também pertence a quem acredita no meu trabalho e escolhe caminhar comigo.


Que possamos seguir construindo histórias, fortalecendo conexões e celebrando juntos cada conquista que ainda está por vir.


E vem aí dia 18 de julho o Gala Gay da Tia Carmen, estarei apresentando, a gente se vê lá.

Com carinho e gratidão,







 *****


*Vagner Oliveira 

Advogado - Especialista em Direito Homoafetivo 

Pós-Graduado em Processo Civil 

Instagram: @eu.vagner 

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