Nutrindo a alma de amor

Por Vanessa Campos


Como as coisas podem mudar de uma forma tão radical que tu realmente te surpreendes. Vou contar para vocês sobre o que estou falando. Na minha infância e adolescência minha família sempre teve o hábito de fazermos as refeições juntos. Todos reunidos compartilhando as delícias escolhidas por minha mãe.



Algumas vezes ela que fazia as mesmas, outras a funcionária que trabalhava na nossa casa que nos brindava com suas habilidades culinárias. Eu nunca tive aptidão para a cozinha. Sabia fazer doces e bolos. Minha sogra na época me ensinou a fazer seus famosos bolos.


E acabou por ai! Tentei fazer arroz- ficava tão grudado na panela que poderia virar a mesma que ele ficaria ali imóvel, frango com molho de sei lá o que com cara de vômito, massa mais tinha ficado uma papa de tanto que havia cozinhado. Realmente, a cada tentativa de cozinhar, constatava que era melhor deixar para pessoas que tivessem aptas para tal tarefa. E a vida foi seguindo. Era da parte administrativa do negócio, ir no super., dar sugestões (embora nem nisso me envolvida muito), lavar a louça (algo que tenho simplesmente horror- prefiro qualquer outra atividade domestica a isso).


Com a benção do destino sempre tive por perto pessoas que me alimentaram de forma magnifica. Quando me separei não tive escolha. Comecei a fazer o básico- arroz- já ok. Massa ok também, frango grelhado, bife passadinho na hora, ovo cozido, salada. Menu nada sortido. A coitada da minha filha sobrevivia aos mesmos gostos. Era comível, nada de muito extraordinário. Adorava ir comer no meu pai ou na minha mãe para pode desfrutar de algo mais elaborado.


Sei exatamente o dia que tudo mudou. Era um final de semana de inverno. Há dias chovia, aquela chuva fininha que vai se estendendo. Sexta comi qualquer resto que tinha na geladeira sem muito entusiasmo, sábado no almoço fiz um omelete. Estava ali assistindo uma série de pijama o dia inteiro. Quando olhei para mim e disse: “Ah não é possível Vanessa. Temos que mudar esse negócio. Tu tem que começar a melhorar tuas comidas. Deixar a casa cheirosa, ter uns temperos diferentes. Acabou hoje! Levanta! Falta 1 hora para o supermercado fechar. Te mexe!”


Quem me conhece sabe: Deus me livre alguém não me obedecer! Me vesti rapidamente e fui para o supermercado. Chegando lá estava totalmente perdida, resolvi ter a brilhante ideia: “Vou olhar no Google algumas sugestões de receitas.” “Voilà”!!!!! O Google é simplesmente um infinito de possibilidades. Resolvi fazer um consume de moranga com gengibre e uma sopa de tomate picante (uma das minhas especialidades). Foi primeira vez que tive prazer em fazer as compras do supermercado. Escolher com amor, ter expectativa.


Chegando em casa iniciei meu processo de descobrimento dos prazeres da arte da culinária. Bebi um vinho, preparei a mesa a luz de velas para a primeira janta oficial para mim mesma (desculpa a redundância- achei necessário hehehe). Ficou maravilhoso! Temperado, perfeito! A vida é inusitada, hoje, um dos meus dotes é cozinhar bem. Aprendi ousando, misturando temperos, embora minha mãe fosse sempre uma excelente cozinheira não aprendi com ela. Aprendi na prática, no Google, nos programas de culinária que adoro assistir.


Descobri que cozinhar é uma das formas de dar amor. Me satisfaz ver a pessoa que eu gosto ali se alimentando que algo que fiz especialmente para ela. A cada viagem que faço vou no mercado público e compro temperos especiais. E vou brincado com eles ao longo das receitas. Me divertindo! Ousando! Testando! Sem ninguém para me dizer o que é certo ou errado porque na cozinha não tem isso- somos livres e uma infinita possibilidade.


Minha cozinha não é gourmet, meu prato não é requintado como que para uma foto. Minha comida tem gosto, tempero, amor, carinho! A experiência é para te encher de alegria e contentamento. Gosto de comida saudável, aproveito todos os alimentos da melhor forma possível para que nossa vida seja sustentável.


Nessa quarentena descobri algo ainda mais lindo. É cozinhando que acalmo meu coração, curo minhas dores, limpo minha mente. Organizo meus sentimentos e me fortaleço para seguir mais um dia. Posso começar o processo de cozinhar com a cabeça cheia, com sentimentos de angústia, tristeza, preocupação. Tenho meu ritual- separo os legumes, os ingredientes, os acompanhamentos, a carne- se tiver.


Organizo tudo que irei usar. Limpo, corto. Separo as panelas. Deixo tudo ali. Ligo uma música, às vezes, outras o silêncio me acompanha. E minha mente vai indo, os pensamentos se acomodando, os sentimentos se dissipando. Quando termino só tenho paz, esperança e gratidão dentro de mim. Tenho a mais puro certeza que o ato de cozinhar é uma forma de amor próprio! Fonte de equilíbrio, tranquilidade, serenidade e calma.


Um beijo,

Se cuidem.




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