Dona Ana - Por Vanessa Campos


Sim a coluna de hoje tem nome: Dona Ana! Não sei o sobrenome dela, confesso que tenho dificuldade de guardar o sobrenome das pessoas. Me atento as suas histórias.


Crédito: Anna Sulencka por Pixabay.

Hoje vou contar a nossa história- minha e da Dona Ana- e como nossos destinos se cruzaram. Estava eu passeando com a cachorra numa manhã ensolarada, quando percebi no meio do jardim do prédio algo brilhante. Quando peguei o objeto na mão, pude ver um lindo terço- nunca tive um terço assim tão bonito. Uma relíquia como diria o outro.


Me lembro de ter pensado “o universo está sendo generoso comigo já que esse ano foi um ano duro (nem preciso explicar muito o porquê disto né?!) Claro que como me ensinaram desde de pequena “não pega o que não é teu”. Liguei para a portaria para notificar que o objeto estava comigo, coloquei no grupo do prédio também. Sem nenhum sinal do dono.


Foram 15 dias nos quais o terço permaneceu sobre meu domínio- pendurado na porta da minha casa. Todos os dias ficava muito grata em ouvir seu barulhinho ao abrir e fechar da porta. A cada dia que se passava ficava mais próxima a realização que ele seria meu.


Me lembro bem que pensei no décimo quinto dia: “Agora deu né! Agradeço ao universo por isso”. Estava eu, criando um apego com o tal do terço. Não sou religiosa, mas minha fé é do mesmo tamanho do amor que carrego em meu coração. Até que o dia chegou…

Interfone toca: “Bom dia Dona Vanessa (voz do porteiro que gosto muito)- a Dona Ana do 1203 tá desesperada, aos prantos porque perdeu o terço de estimação dela. Será que é aquele que a Sra. encontrou?! Ainda está com a Sra?”


Liguei para a Dona Ana então, e marcamos um encontro na porta de seu apartamento para verificação do tal do terço perdido. E eu achando que o universo iria me tirar aquela preciosidade. Mal sabia eu o que estava por vir. A Dona Ana quase tirou a máscara… quase me abraçou e me beijou enlouquecidamente… quando ela viu o seu terço. Seus olhinhos com 100 anos de idade brilharam de felicidade.


Não tive como recusar o convite de entrar na sua residência e ver onde “morava” aquele terço. Vivi 2 horas intensas de emoção ao lado da Dona Ana… que me contou como estava se sentindo na pandemia, sobre sua vida, seus gostos… uma versão "pocket" de 100 anos de vida… uma mulher incrível, agradável… então me dei conta da troca que o universo estava fazendo comigo.


Me senti tão grata por conhecer ela… que não pude não me emocionar. Ela com seus 1,50… era gigante… sua força, sua vivacidade… sua tranquilidade. Me disse tantos ensinamentos que nem ousaria em repetir para vocês… confesso que estão aqui guardados dentro de mim.

Foi amor à primeira vista! Me mostrou todas suas memórias afetivas… me deu uma aula de vida! Sai de lá leve… aos prantos obviamente- grata pelo universo ter feito essa gentil brincadeira comigo.


Dona Ana para mostrar a sua gratidão me deu um pacote de bolacha de amendoim com chocolate- porque era a única coisa que ela tinha por ali. Me prometeu que ia rezar por mim todos os dias… “porque o que tu fez minha filha foi muito importante para mim.”

Mal sabe ela quem fez bem para quem!


Acredite na reciprocidade da vida! O universo sempre dá seu jeito! Sobre a Dona Ana: uma grande mulher! Quisera eu que o universo fosse fosse povoado por tantas "Donas Anas"… amém!


Até a próxima!


Psicóloga Vanessa Campos