Dentistas - Por Vanessa Campos

Não sei vocês, mas eu já tive vários dentistas ao longo da minha vida. E sempre nutri um sentimento estranho em relação a eles. De todos que tive, dois se ressaltaram por aspectos opostos. Os outros que tive não criei vínculo, era algo aleatório. Parecia frio, distante.


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Acho que fica óbvio para vocês que me acompanham que sou uma pessoa que precisa de contato afetivo. Sempre busco afeto nas minhas relações. Não irei casar ou ser a melhor amiga do meu dentista, mas já que estou ali porque não manter uma relação prazerosa e agradável?


Meu desconforto começava quando entrava no consultório, já que a maioria dos consultórios têm um cheiro na sala muito ruim, tipo cheiro de limpeza, de hospital. De assepsia. É um cheiro forte característico de coisa esterilizada e limpa. Claro que um consultório dentário tem que ser limpo. Não estou querendo que seja sujo, claro que não, mas minha experiência começava ali. Sou muito impactada pelo cheiro das pessoas... negativa ou positivamente. (isso é outro assunto - mas já terminei um relacionamento porque não gostava do cheiro da mesma).


Segundo ponto interessante: a maioria dos dentistas abre a tua boca e começa a fazer um monte de perguntas e tu ali com a boca aberta, com sugador de saliva, cheia de algodão. Sem nem poder mexer a língua, nem produzir saliva. Me pergunto como seria viável falar uma só frase nessa situação? Tive um dentista que me perguntava coisas e eu tentava responder que sim ou não pela linguagem dos olhos. Uma completa angústia.


Daí entro nos consultórios dos meus dois dentistas que se diferenciavam. Um que fui fazer a placa do bruxismo (quando tinha - enfim me curei) ele era afetuoso, risonho, piadista, bem humorado. Adorava ir ao consultório dele e sempre saía rindo de alguma piada. Podíamos conversar já que ele colocava a placa, o molde e logo tirava. Tínhamos, enfim, um diálogo.


E por fim, minha dentista atual. Na verdade ela é minha ortodontista - o que diferencia um pouco a situação. Vou explicar para vocês. Venho há uns seis anos me estranhando com meus dentes. Sou detalhista e comecei um processo de “implicância” com um deles. Até que me dei conta que teria que olhar para ele por mais 42 anos de idade (porque quero morrer com 84 anos). Então me dei conta que seriam muitos anos olhando as fotos e me olhando no espelho e vendo ele ali. Indicação dali e daqui e achei ela. Nunca tinha encontrado uma dentista com tanta personalidade, sincera, realista, objetiva, focada.


Perfeito! Fiz todos os exames que ela mandou (sim ela manda e eu obedeço... muda) e tivemos uma “reunião”. Só valido pessoas que me transmitem confiança e segurança. Faço tudo o que ela manda. E o melhor e mais estranho de tudo é que ela só fala comigo quando não estou de boca aberta.


Funciona assim... chego... falamos... rimos... conversamos um pouco e ela diz:


“Vamos ver então.”


Esta é a senha para eu fechar a minha matraca! Hehehe. Eu abro a boca sem um pio e ela olha, analisa. Diz uma coisinha ou outra - nada demais, ou até nada e faz o que tem que fazer e daí conversamos sobre meus dentes ou o que for. Outro dia perguntei para ela porque, ora bolas, ela não falava comigo quando eu estava de boca aberta e não podia responder. Não preciso contar que quase morrermos de rir, mas ela me explicou que o trabalho dela era tão minucioso que tinha que ter tanta atenção que não podia se distrair falando comigo. Nossa! Sensacional! É sério! Nunca tinha visto uma pessoa tão detalhista. Eu simplesmente quase morri de tédio o dia que ela foi colocar meu aparelho. Ela media, marcava com lápis no meu dente. Media de novo. Colava algo e media. Meu Deus! Eu ia passar fome se fosse dentista. Certo que sim!


Gosto de pessoas autênticas que são o que são! Pelo simples fato de ser quem são. Ao longo desses anos de psicologia clínica aprendi que temos que ser quem somos sempre. E nunca perder nossa essência. Me considero uma psicóloga falante, porque realmente eu converso com meus pacientes. Ajudo-os, mas certamente tenho meus grandes aprendizados na troca diária. Já sofri muito preconceito e críticas por não ser o padrão de psicóloga esperado pela sociedade psicanalítica - meus colegas no caso - e sempre disse mesmo antes de me formar (para a minha terapeuta da época) que não importasse o quando fosse difícil eu seria sempre eu mesma. Porque nem todos os dentistas são iguais, nem as psicólogas... Por trás de cada profissional, antes de qualquer coisa, tem uma pessoa, sempre!


Um beijo grande. Até semana que vem.

Vanessa Campos

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