Conexões, educação e pandemia

Por Luis Pissaia*


Em um momento histórico para a humanidade, a educação recebe o holofote das discussões que tangem a virtualização do ensino, novos modelos de aprendizagem e o futuro dos espaços acadêmicos. Muitos são os educadores de destaque no Brasil que estruturam novos modelos de compreensão da educação, partindo da problemática lançada pela pandemia da Covid-19 até a formulação de políticas públicas.



Um desses educadores é o Prof. Dr. Renan Antônio da Silva (UNIS, UnB e UFAM). Nesse texto em particular, o Professor Renan nos oferece um ponto de vista sobre algumas questões latentes e sedentas por respostas, que constroem um limiar entre a educação tradicional e as perceptivas para o pós-pandemia.


Dentre elas, a educação tradicional possui muitas críticas, principalmente aquelas relacionadas aos modelos de ensino e aprendizagem, contudo há uma dificuldade em delimitar os aspectos tradicionais que são necessários para o momento atual. A pandemia da Covid-19 trouxe consigo um novo cenário para a educação no Brasil, introduzindo a virtualização das aulas e o fechamento momentâneo dos espaços escolares, dessa forma, ocasionando impactos a nível nacional.


Dessa forma, o Prof. Dr. Renan comenta:


Talvez por conta da pandemia de 2020, as pessoas estejam mais contritas e sensíveis. Temos visto algumas reiterações da pedagogia do amor, em geral citando Maturana, que tem sido o principal patrono da ideia. Nada mais necessário, também verdadeiro.


No entanto, fica o gosto amargo de hipocrisia institucional, ao vermos que nosso sistema de ensino é tudo, menos pedagogia do amor. Pode soar a pieguice sonsa. Vemos alguns educadores encantados com a ideia, pelos quais tenho o maior respeito, porque sei de sua integridade e competência acadêmica, mas fico pensando até que ponto é viável curtir esta ideia da pedagogia do amor, não só porque é estranha ao contexto eurocêntrico cartesiano, mas porque soa a cortina de fumaça para encobrir uma política educacional incrivelmente perversa.


Aprendizagem quase não existe, sobretudo no Ensino Médio, não levamos quase nada para a vida da escola, e a série histórica do Ideb desde 1995 escancara um sistema inepto, para não dizer inútil, sem perspectiva de mudança.


A miséria educacional atravessa os governos, independentemente da ideologia, porque o instrucionismo é a postura padrão, hoje globalizada, também acolhida oficialmente no PISA: o sistema é tipicamente de “ensino”, instrução, baseada na aula copiada para ser copiada, conteudista, tal qual aprecia a escola privada.


Dificilmente, entretanto, pode-se ser contra a pedagogia do amor, venha de onde vier, porque educar implica certamente um ato de amor, de aceitação do aluno, de reciprocidade intensa. Sendo, porém, laica a escola, civil, não cabe infiltrar nela posições que reverberam arquiteturas com eflúvios religiosos ou similares, também porque, se, de um lado, alguém fala de amor, do outro, alguém fala de moral e cívica, disciplina, obediência.


As teorizações de Maturana são muito impactantes, mantêm-se no ar por décadas, em geral com muito acato, mesmo complexas e surpreendentes. Tem muitos méritos, em especial o epistemológico, ao lado do biológico, embora se trate de posição também controversa, tanto assim que, no mundo dito desenvolvido, sua penetração é pouco perceptível.


Como teste casual disso, note-se a entrada na Wikipédia (Humberto Maturana): na versão inglesa, tem pouco mais de uma página; na portuguesa, tem quatro. Junto com Lettvin (do MIT) foi indicado para o Nobel de medicina e fisiologia, embora não tenha obtido a premiação. É conhecido, sobretudo pelo conceito de autopoiese, a capacidade dos seres vivos de se autodefinirem, autoconstruírem, também se autorrenovarem, uma das bases mais importantes biológicas da aprendizagem (autoral).


Em um instigar de pensamentos, muitos são os imaginários sobre o pós-pandemia e também as incertezas sobre o futuro da educação e dos espaços acadêmicos, dessa forma, um termo que fica é o amor. Ao findar essa bela reflexão, a conexão que une a educação e a pandemia, é o amor, grande legado e que precisa ser trabalhado nos espaços de ensino e aprendizagem.

Sobre o autor - *Enf. Me. Luís Felipe Pissaia  - COREN/RS 498541

Mestre e Doutorando em Ensino

Especialista em Gestão e Auditoria em Serviços da Saúde

Docente Universidade do Vale do Taquari - Univates 

Enfermeiro de Rel. Empresariais - Marketing e Relacionamento Unimed VTRP

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