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Artigo: Encerrando Ciclos



“Aprenda a terminar o que você começou, porque no fim é apenas uma mudança de ciclos”



artigo de vagner oliveira
Google Images

Eu sempre falo que para minha vida seguir em frente, preciso encerrar coisas pendentes, mas claro que nem sempre conseguimos por vários motivos e alguns, são aqueles que não dependem de nós.


Conforme o tempo passa você vai ficando cada vez mais calejado com algumas coisas que acontecem em sua vida. Você descobre que ser bom as vezes tem seu preço, viver sozinho pode ser bom, mas não constitui família, ter amigos requer uma boa dose de tolerância e assim por diante. Agora, imagine tudo ao mesmo tempo.


Já se deu conta que abraçamos tudo, fazemos de tudo e não concluirmos quase nada? E por quê? Será que 24 horas não são suficientes? Será que somos incapazes de pôr fim às coisas que nos rodeiam?


Estas questões provavelmente já foram levantadas por cada um de nós. Isso faz parte do curso de estar constantemente conectados ao mesmo tempo que tentamos balancear uma vida cheia no âmbito pessoal, profissional e familiar. Agora, eu poderia lhe dizer que você deveria deixar seu telefone de lado e parar de se conectar com suas redes sociais e se voltar para o texto que você está lendo, mas acho que é importante você tomar a responsabilidade por suas ações e entender a importância do foco e da conclusão.


Há milhões de ciclos que podemos abrir e fechar em um dia, uma semana, um mês, um ano e em uma vida — relacionamentos, carreiras, tarefas que adiamos e projetos que não concluímos. O poder de fechar ciclos é libertador. Acredite ;)


Me coloco como exemplo, hoje eu abro um novo ciclo em minha vida. Eu passei os últimos oito anos de forma muito enriquecedora, desde que me formei nunca me faltou trabalho e consequentemente reconhecimento e ganhos financeiros e aí, às vezes, me pegam de surpresa com algumas decisões e fico bem pensativo e até para baixo, mas logo depois entendo que aquilo era um ciclo que deveria ser fechado da melhor maneira possível e isso aconteceu tanto na área profissional, quando na área emocional. Me questiono muito no momento que acontece, mas justamente eu que prego essas mudanças deveria aceitar tranquilamente e claro, que logo depois entendo que as coisas acontecem como deveriam acontecer.


O que eu não entendia era que o problema não era o lugar e sim eu mesmo. Eu achava que se tinha algo que poderia mudar tinha que ser o ambiente. Mas após muitos problemas, principalmente no trabalho e casamento, recorri a psicologia e faço terapia há muitos anos, super recomendo. Se tinha algo que eu precisava entender era meu próprio cérebro e o dos outros, assim eu teria a propensão de sofrer menos. Confesso que não consegui lidar com algumas coisas, principalmente o divórcio. Eu ainda sinto algumas dores…Já passou. Amém!


Para tanto, encontrei algumas soluções e uma delas foi se tornar um apreciador de coisas triviais, percebi que eu não precisava me mudar, não precisava ter um emprego foda, ou grana para me sentir satisfeito. Mas precisava estar com poucas e boas pessoas, aquelas que valorizam quem eu sou e a minha companhia e sabem me colocar para cima. Hoje analisando os últimos anos percebo que me tornei um cara melhor, eu conheci gente muito foda, pessoas que realmente se importaram comigo, mesmo não me conhecendo profundamente, elas me abraçaram e me ajudaram a vencer alguns dilemas que eu carregava.


Verdadeiramente eu acredito no poder de abrir e fechar portas, encerrar e começar novos ciclos, pois a todo o momento temos essa oportunidade de nos renovarmos. Precisamos de uma dose a mais de coragem para aceitar o fim de uma estrada e a abertura de um novo caminho. É nesse momento que devemos tomar posse novamente da nossa bússola interior e assumir uma nova direção.


Encerramos e abrimos novos ciclos todos os dias, a cada segundo, minuto, hora. Talvez, esse seja o maior motivo de, muitas vezes, não assumirmos com maturidade e clareza o ponto final que colocamos na etapa que chegou ao fim, da situação que consideramos a mais importante no momento presente, mas que precisa ser encerrada. Encerrar algo, seja na área que for, nunca é fácil, seja por sua vontade ou vontade alheia e começar algo, também não, mas é necessário.


A morte de alguém querido, o fim de um vínculo importante, um hábito, mudar de casa, ir estudar em outro país… A cada ciclo que se fecha há um ensinamento, uma lição. Quantas vezes na vida é preciso fechar a porta, entregar a chave ao porteiro, se despedir e ir embora? O segredo está na experiência do desprendimento sem culpa, sabendo que tudo que tinha que acontecer, aconteceu da melhor forma e no tempo certo, e que pode ser diferente a partir do momento em que se virar a página e se iniciar outro capítulo.


Permita que o passado passe: só vale a pena olhar para traz se for para lembrar o quanto evoluiu e para reafirmar a lição que uma experiência vivida trouxe. É como dizer “Somos a consequência do que pensamos”, frase sabiamente dita por Buda. Afinal, somos consequência do que pensamos sobre nós, sobre a nossa história e a história do outro também.


A reorientação da bússola interior é o cuidado em observar e perceber quando a direção já não é a mesma que antes. E, quando a realidade vem e lhe podar sem ao menos lhe perguntar se quer ou não, o que vale é ressignificar os fatos. O cuidado consiste em fechar e abrir portas no momento que acredita que seja o certo, porque seu jeito é o jeito certo.


Comece a experimentar as coisas que não são tão fáceis para você, faça questão de abrir novas portas, e faça questão de fechar velhas portas, aquelas que já não fazem mais sentido. Permita-se experimentar o que não é simples, o que ainda não te deixa ir além, e te impede de começar a escrever o próximo capítulo.


No nosso interior há sempre reservas desconhecidas, de amor, de coragem, de determinação, de honestidade, de otimismo, de veracidade. Conecte-se com você mesmo, encontre as suas verdades, descubra quais são seus galhos e dê nomes a eles, se for necessário, corte-os, e permaneça apenas com aqueles que vão permitir ordenar a sua história.


Não podemos ser somente uma árvore que vai ficando grande, os nossos galhos precisam evoluir de forma equivalente aos nossos desejos mais profundos, com raízes firmes. Movimente a sua existência interna e externa, una suas partes, busque estar em contato com o seu melhor e ir em direção à sua felicidade.


Seja a sua melhor versão em cada fase da sua vida, não se acostume a um lugar que talvez não deva estar, encerre ciclos, feche a porta e celebre a cada tomada de decisão, mas, principalmente, abra portais que poderão transformar sua história e brinde novamente. Viva! Isso é maravilhoso!


Fechando ciclos e aprendendo a concluir as coisas é o melhor remédio para uma mente com mais sabedoria, tranquilidade e foco. Lembre-se que enquanto estivermos apegados aos dilemas não finalizados, teremos que encarar a ambiguidade do desconhecido.


Se você deseja ter uma vida melhor e se beneficiar das coisas boas que você recebe e receberá dela, comece FECHANDO CICLOS e ACEITE ISSO.




*Vagner Oliveira - Advogado

Especialista em Direito Homoafetivo

Pós-Graduado em Processo Civil

Instagram: @eu.vagner

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