O MAIOR EVENTO CULTURAL DO PAÍS

Por Vagner Oliveira*


Há quatro anos, ou seja, desde minha formação em Direito, frequento o maior evento do País, segundo números dos organizadores: a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo/SP.


Este ano foi mais especial para mim, por dois motivos: um por estar ao meu lado do meu amor Felipe e ser a primeira parada dele, poder ver que entre purpurina, plumas e paetês há muita luta, que somos da festa, mas somos da luta também, que a minoria não existe mais e que juntos somos mais fortes contra essa legislação estagnada. O segundo, pois, tive a grande honra de apresentar o 18º Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade.


O maior prêmio do País voltado para homenagear e reconhecer ações sociais que contribuíram para o avanço dos direitos humanos da população LGBT. Pude dividir o palco com a talentosa, competente e simpaticíssima Gretta Star, uma diva.


Apresentadores do 18º Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade

Mas para quem não sabe o que é uma parada, vamos lá: Não é parada ou desfile, propriamente dito. É um passeio, uma grande aglomeração comemorativa e festiva do público LGBTIQ+, com vista a aumentar sua exposição ou visibilidade e demonstrar o ânimo para defender seus direitos, bem como manifestações públicas e reivindicação de direitos. Realizada todos os anos em São Paulo, seu nome oficial é Parada do Orgulho LGBT e é inspirada em um evento mais antigo, que teve sua origem na cidade de Nova Iorque.


Com uma batida policial no bar Stonewall, frequentado por gays e lésbicas em Nova Iorque, em 1969, foi dado o pontapé para a primeira parada do orgulho LGBT do mundo. A prisão e o espancamento de várias pessoas levaram 2.000 manifestantes às ruas da cidade no dia 28 de junho daquele ano.

Desde então, a data de “28 de junho” se tornou o dia oficial do orgulho gay. As manifestações no bairro de Greenwich Village, na ilha de Manhattan, deram início a um movimento pelos direitos civis dos cidadãos homossexuais que conseguiu vários avanços nas últimas quatro décadas. A homossexualidade deixou de ser considerada crime e doença em vários países e muitos outros passaram a permitir o casamento entre pessoas de mesmo sexo, já falei numa coluna anterior sobre os direitos da nossa comunidade no nosso País.


Hoje em dia, praticamente todos os países europeus e vários outros nos diversos continentes possuem suas paradas de orgulho.


O Brasil é sede da maior festa do gênero, na última edição, que ocorreu dia 03/06/2018, mais de 3 milhões de pessoas foram à avenida Paulista, em São Paulo. Em 2004, quando recebeu 2,5 milhões de participantes, a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo foi mencionada pelo Guinness World Records como a maior do mundo. Ultrapassou eventos como, por exemplo, a Fórmula 1.


Parada do Orgulho LGBT 2018

Com o tema Poder para LGBTI+, Nosso Voto, Nossa Voz, o evento chamou a atenção para as eleições deste ano, para o respeito às diferenças e se posicionou contra a violência. Organizado pela Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de São Paulo (APOGLBT), os quais já parabenizo, pois incansavelmente pensaram em todos os detalhes e organizaram com tamanha maestria.


O evento teve grandes nomes entre suas principais atrações como Pabllo Vittar, Preta Gil, Anitta, Lia Clark, April Carrión (de RuPaul’s Drag Race) e Mulher Pepita, além é claro de diversos políticos e empresas apoiadoras do evento, bem como teve como Madrinha da Parada, a nossa conterrânea Fernanda Lima.


Dezoito trios elétricos saíram da Avenida Paulista, passando pela Rua da Consolação e encerraram evento no Vale do Anhangabaú.


Instituída oficialmente no calendário da cidade pelo Decreto 57.014/2016, a Parada conta com aproximadamente um investimento de quase R$ 1,5 milhão da prefeitura de São Paulo, que se responsabiliza pela infraestrutura do evento por meio da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania. Segundo dados de 2017, este evento lotou os hotéis da cidade de São Paulo, trazendo turistas do mundo todo e em um final de semana a cidade arrecadou mais de 400 milhões de reais.


O que me causa estranheza e indignação, é que promovemos o maior evento LGBTI+ do mundo, porém continuamos no ranking como o País que mais mata travestis e transexuais do mundo e mais agride homossexuais também, além das diversas dificuldades que nosso meio sofre, entre elas a questão de desempenho no mercado de trabalho ou mesmo de admissão.


O índice de agressão para com este público é tão alto que dois participantes da parada foram esfaqueados durante a realização do evento deste ano, além de diversos furtos que ocorreram, apesar de toda segurança disposta no local.


Uma opinião particular: Precisamos ter uma intervenção pública, com o aumento e consolidação de políticas públicas para que a segurança seja realizada de uma maneira mais eficaz nesse evento. As pessoas em seu dia-a-dia, precisam sair de casa pela manhã e ter a certeza que voltarão a noite, este ano é crucial para nós, pois temos um governo tradicionalista, que não pensa na nossa comunidade e enquanto isso pessoas estão morrendo, precisamos não só promover a maior parada, mas sermos referência em direitos humanos e na valorização das pessoas.


Não devemos ter vergonha de nada. Somos maravilhosos, poderosos e acima de tudo, cidadãos brasileiros e pode ser clichê, mas o poder está nas nossas mãos esse ano. Aproveite este mês do Orgulho LGBT, e tenha orgulho de ser quem você é, viva intensamente e seja você sempre.


*Vagner Oliveira

Advogado

Especialista em Direito Homoafetivo

Pós-graduado em Processo Civil

Contato: advogadovagner@hotmail.com

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