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Junho: o mês de se orgulhar


A diversidade é uma causa que eu defendo e me especializei desde a minha colação de grau, a qual completa neste ano, 10 anos. Defendo não só na teoria, nos discursos, nas redes sociais, mas na prática, mudando, ajudando e alcançando grandes feitos.


Eu abraço os iguais a mim e as diferenças, por entender que são elas que nos fazem maiores, melhores e únicos. Não porque as vemos como diferenças, mas pelo fato de enxergarmos a todos como iguais. Todos merecem oportunidades iguais, tratamentos iguais e direitos iguais.


Influenciador gay Vagner Oliveira
Vagner Oliveira. Foto: Arquivo pessoal

E é justamente no mês da Diversidade e Orgulho LGBTQIA+ que não apenas reforço esse compromisso como, também, me posiciono em apoio à causa como um todo, é o mês que mais trabalho no ano com eventos, sendo uma forma de reconhecimento pelo que batalho. Foi nesse mês também que tomei posse na diretoria da Comissão de Diversidade Sexual e Gênero da OAB/RS. Na minha vida só tem uma rota que não percorro: a do preconceito. Por isso acho importante explicar um pouco sobre esse movimento e o porquê ele existe.


Junho é o mês escolhido para tratar da Diversidade e Orgulho LGBTQIA+.


A data tem um significado importante, pois foi em 28 de junho de 1969 que ocorreu um movimento que ficou conhecido como a Rebelião de Stonewall, o marco inicial do movimento LGBTQIA+.


Durante uma época em que ser homossexual significava que a pessoa perdia o seu respeito e sua dignidade, sendo malvista pela sociedade e correndo o risco de ser perseguida, muitos escolhiam viver de forma reclusa. Até que um ato mudou tudo.


Um grande marco no movimento foi a revolta de Stonewall, ocorrida no dia 28 de junho de 1969 em Nova York, onde um grupo de gays resolveu enfrentar a frequente violência policial sofrida pelos homossexuais. A partir daí começaram a ser realizados vários protestos em todo o mundo a favor dos direitos homossexuais.


Naquela época, a polícia de Nova York tinha o hábito de invadir bares e baladas gays para prender quem encontrasse no caminho, mesmo que o indivíduo em questão não estivesse violando a lei. Em 28 de junho, ao tentar fazer o mesmo com um grupo de lésbicas que estavam no Stonewall Inn, eles foram contra-atacados pelos outros frequentadores, que atiravam pedras, tijolos e moedas na viatura e davam início ao que mais tarde foi batizado de "levante" ou "revolta", perdurando pelas semanas seguintes.


A história exata de "quem atirou a primeira pedra" na Revolta de Stonewall é incerta, mas muitos acreditam que uma das principais lideranças a instigar o levante dos gays e lésbicas frequentadores do bar foi a ativista transexual e drag queen Marsha P. Johnson. Em 2019, o jornal americano The New York Times entrevistou testemunhas vivas daquele episódio em busca de uma resposta, mas eles também divergem sobre a autoria do primeiro movimento, apesar de serem unânimes ao creditar boa parte da animosidade a Marsha.


Acompanhada de Sylvia Rivera, outra mulher transexual e imigrante latina que trabalhava ao seu lado como prostituta, Marsha liderou uma passeata até o Central Park que começou naquele dia e se repetiu pelos próximos. Era a primeira vez que a comunidade LGBT+ ocupava um espaço público e em movimento, com placas, gritos e reivindicações de direitos básicos. Nascia, assim, a primeira Parada do Orgulho.


No Brasil, um grande marco para o movimento LGBT foi em 1978, ano em que foi criado o Movimento Homossexual Brasileiro (MHB).


Com o passar dos anos muitos direitos foram conquistados e barreiras derrubadas. Mas essa luta está apenas no começo. Ainda existem muitos outros obstáculos a serem vencidos.


Vale lembrar que aqui no Brasil, em junho de 2019, o Supremo Tribunal Federal decidiu enquadrar (ainda que com muito atraso) os atos de homofobia e transfobia na Lei do Racismo (7.716/1989). Portanto, qualquer ato de homofobia e transfobia é considerado crime no Brasil. De acordo com o levantamento mais recente feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) em janeiro de 2023, 52% pessoas gays foram vítimas de violência, sendo 42,96% pessoas travestis e transexuais. Sendo o Brasil o país que mais mata LGBTIs no mundo.


De acordo com a Organização Mundial do Turismo, de cada dez turistas, um é LGBTQIA+. Isso mostra a importância do turismo inclusivo em todas as cidades do Brasil e como ele pode movimentar a economia. Estas cidades bastante procuradas tanto pelo seu acolhimento quanto pela sua inclusão, são chamados também de ‘gay-friendly’. Gay-friendly é um local que recebe seus visitantes com respeito e igualdade, independentemente de sua identidade de gênero.


Nestas cidades indicadas no Brasil, todas as pessoas LGBTQIA+ são recebidas de braços abertos, onde você pode se sentir mais a vontade: São Paulo – SP, Rio de Janeiro – RJ, Belo Horizonte – MG, Florianópolis – SC e Recife – PE.


Falando em Parada, em 2022, a 26ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo recebeu mais de 3 milhões de pessoas na Avenida Paulista, de acordo com dados do Observatório do Turismo da Prefeitura de São Paulo e da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, sendo a maior parada do mundo, a qual participo há 8 anos.


Apesar de junho ser o mês do orgulho, temos que ter orgulho de ser quem somos o ano todo. Não deixar que nada, nem ninguém mude nossa essência e nossas virtudes. Lutamos e ainda lutaremos muito pelos nossos espaços e igualdades.

Contem comigo!!!


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vagner oliveira avogado porto alegre

*Vagner Oliveira - Advogado

Especialista em Direito Homoafetivo

Pós-Graduado em Processo Civil

Instagram: @eu.vagner

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